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-- O que são Áudio Games --


       Ousados e criativos a tempos os games eletrônicos tem marcado seu espaço no mercado, não se restringindo a classe sociais, faixa etária, sexo ou qualquer outro tipo de segmentação. De algum tempo para cá, talvez o último paradigma tenha sido quebrado, os vídeo games, passaram também a ser áudio games, e, portanto acessíveis a qualquer pessoa cega ou com baixa visão. A tecnologia de som em 3D permite a este segmento, muita adrenalina em situações de aventura, exploração, pilotagem, ou guerras estrelares, tendo por referenciais sons que colocam o competidor dentro do jogo.
       A possibilidade de acesso a jogos eletrônicos não é nova para este segmento, pois com o surgimento dos leitores de tela (programas que permitem o acesso de pessoas cegas a um computador) jogos textuais passaram a ser acessíveis, como RPG, jogo da forca, jogo da memória, dentre tantos. Os programadores do projeto Dosvox no Rio de Janeiro foram pioneiros no desenvolvimento de jogos textuais no Brasil, chegando a produzir inclusive jogos online.
       Os áudiogames, porém, remontam a um novo paradigma, pois permitem aos usuários muitas vezes diversão apenas com situações sonoras de ambiente, por exemplo, em uma guerra espacial, as informações textuais são apenas um complemento e não determinantes para se jogar. Em jogos como esse o jogador, apenas necessita se orientar em um espaço onde a todo o momento precisa atacar e se defender de naves ou invasores, garantindo assim, toda a emoção já experimentada por usuários de vídeo games.


-- Aspectos sociais --


       A possibilidade de novas formas de entretenimento para o segmento de pessoas cegas e com deficiência visual, por si só, já é um fato que merece repercussão e toda a atenção de todos aqueles que se preocupam em desenvolver ações voltadas a esse público. Em nossa leitura, porém, os áudio games, trazem consigo muito mais valor agregado, pois acabam também se caracterizando como poderosas ferramentas de inclusão social. Não seria difícil para qualquer educador ou familiar relacionados a uma criança cega, em poucos minutos estimular brincadeiras, ou mesmo pequenos campeonatos envolvendo crianças com e sem deficiência. O "brinquedinho" da criança que enxerga, (vídeo games) não pode ser utilizado pela criança cega, no entanto o inverso é totalmente possível; promovemos assim "uma inclusão as avessas".
       Os ganhos não param por aí. É de conhecimento de qualquer profissional que trabalha junto a pessoas que acabaram de perder a visão ou mesmo junto a crianças cegas, a importância da construção de meios que estimulem sua boa orientação espacial. A ausência da visão faz com que esse indivíduo conceba todo o seu meio a partir de sons, cheiros, sensações táteis, muitas vezes por uma perspectiva temporal, isto é, um jogador cego em alta velocidade dentro de uma quadra de futebol, sabe que está chegando próximo ao gol adversário, ou mesmo retornando a sua defesa, pois construiu todo aquele espaço mentalmente, considerando variáveis que lhe permitam denominá-lo quase com perfeição. Os áudio-games, com informações que vem a todo tempo da direita e esquerda, de perto e longe, de cima para baixo, e vice-versa chegam como mais um excelente meio de construção mental desses referenciais.


-- A Blind Games Brazil --


       Não faz um ano que usuários de língua portuguesa começaram a ter acesso a esses jogos com manuais e locução em sua língua. A percepção de alguns usuários, que até aquele momento tinham acesso aos jogos em inglês, deu origem a constituição de um grupo informal (Blind Games Brasil) com a missão de conhecer novos jogos, contatar seus criadores, traduzi-los, e difundir toda essa tecnologia, de forma a se tornar acessível a um maior número possível de pessoas. O grupo que nasceu a princípio da idéia de três amigos, o Beto Pereira, Luciano Sestari e Wagner Maia, já conta hoje com mais de cem envolvidos.
       A idéia superou todas as expectativas daqueles que a conceberam, pois hoje o grupo já tem segmentações quanto ao tipo de jogos, e conta com membros não só no Brasil como em vários outros países.
       Todo esse contexto, torna evidente a necessidade da realização de um encontro que possa:


-- Envolver novos atores na condução e difusão destes trabalhos, como por exemplo, o meio acadêmico, a mídia, associações --

de e para cegos, empresas e os próprios usuários;


-- Permitir aqueles já envolvidos, um momento de troca de informações, construção de novas estratégias, e aperfeiçoamento --

técnico;


-- Tornar o projeto acessível a um maior número de possíveis beneficiados, profissionais, e envolvidos direta ou indiretamente --

com assuntos relacionados a pessoa cega e com deficiência visual.


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